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Syngenta garante qualidade do café com blockchain

Rastreabilidade comprovada valoriza cada saca de café em até US$ 4 no mercado europeu

A parceria entre Syngenta e a agtech Arabyka resultou no primeiro “ciclo completo” de blockchain no setor cafeeiro no Brasil. A primeira carga, de 36 sacas de café verde, foi enviada nesta semana à Polônia, onde será torrada e moída.

A ideia de aplicar a tecnologia blockchain à cadeia do café surgiu quase por acaso, segundo George Hiraiwa, co-founder da Arabyka. Em um evento em abril, ele conheceu o processo de auditorias de cafeicultores da Nucoffee, marca da Syngenta, e sugeriu a ideia que foi aceita pela empresa.

“A partir daí, foi tudo muito rápido. Nos unimos a dois agrônomos e um desenvolvedor de blockchain e, no hackathon de Londrina, começamos a tirar a ideia do papel. Isso tem muito significado pois recoloca a cidade no protagonismo do setor cafeeiro, como foi por muitos anos”, conta.

O sistema rastreia cada etapa, detalhe por detalhe, desde a lavoura até o embarque nos navios da complexa cadeia do café. Em outras palavras, permite que as torrefadoras conhecem as práticas empregadas em cada talhão das propriedades, entre outras informações.

“Nossa visão é levar ao mercado um café gourmet, premium. Isso é muito relevante seja para os consumidores e torrefadores e, especialmente, para os cafeicultores pois agrega valor aos produtos. O blockchain é um registro transparente e seguro sobre o café”, comenta.

US$ 4 por saca

A marca Nuccofee surgiu a partir do modelo de barter da Syngenta, que passou a receber os grãos verdes de café como parte do pagamento dos produtores pelos insumos da empresa. A oportunidade era valorizar ao produto com o trade a multinacional.

Assim, quatro mil fazendas foram mapeadas e dois mil estão ativas na parceria com a Nucoffee e 586 foram aprovadas na certificação da marca. Contudo, o blockchain, dado seu nível de confiabilidade e transparência, era o próximo passo para agregar ainda mais valor.

“Firmamos a parceria e implantamos na primeira fazenda. Já está operando e agora o desafio é ter escala com produto rastreado por blockchain. Para isso, temos um conjunto de 586 fazendas aprovadas em nossa certificação que poderiam cumprir os requisitos”, explica Juan Gimenes, gerente de Marketing da Syngenta.

A proposta pode interessar aos cafeicultores e muito. Com o modelo, segundo o executivo, cada saca ganha de US$ 1,3 a US$ 4 em preço pago pelas torrefadoras europeias. A mesma lógica poderia valer para diversas outras cadeias do agronegócio.

A razão é simples: abre-se o caminho para que consumidores finais e estabelecimentos comerciais conheçam e possam confiar mais nos produtos com toques simples no celular. Assim, ficam dispostos a pagar mais pela certeza na qualidade.

Fonte: Canal Rural

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