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Agritech vai rastrear amêndoa em Portugal com blockchain

Arabyka, de Londrina, mapeará cadeia de produção da portuguesa Veracruz usando a tecnologia conhecida pela segurança e imutabilidade

O primeiro cliente de uma startup fundada na região de Londrina é uma empresa internacional. A Arabyka, desenvolvedora de uma plataforma web baseada em blockchain, vai agora ajudar a rastrear a produção de amêndoas da portuguesa Veracruz.

No final de 2019, a agritech foi a responsável pelo primeiro lote de café arábica rastreado por blockchain no Brasil. O feito foi uma prova de conceito para a Nucoffee, plataforma da Syngenta que conecta produtores e torrefadores de café, que enviou 36 sacas de café para a Polônia.

A blockchain ficou conhecida por ser a ferramenta utilizada para registrar transações realizadas por meio de moedas virtuais, mas é utilizada para diversas aplicações com o fim de garantir a segurança na troca de informações. 

“A blockchain é justamente a responsável por fazer o bitcoin valer o que vale hoje. É um meio seguro de armazenamento de dados criptografado”, explica Cassiano Peres, sócio da Brexbit, empresa parceira da Arabyka. “Ela é descentralizada, então você não tem um servidor, você tem vários computadores ao redor do mundo conectados compartilhando a mesma informação com um algoritmo de consenso. Além disso, por ser transparente, qualquer pessoa pode ver a informação que está lá. É um meio de atestar prova de qualquer tipo de informação.”

No setor do agro, o objetivo é garantir a qualidade de um produto ao mostrar qual foi o caminho percorrido por ele até chegar à mesa do consumidor, dentro do processo chamado de rastreabilidade. “A blockchain entra nessa parte de garantir que essas informações são verdadeiras. É uma forma de reforçar, deixar de forma segura e transparente para todos os envolvidos na cadeia de que aquelas informações são verdadeiras”, afirma Peres.

David Carvalho e Filipe Rosa, fundadores da Veracruz: blockchain vai agregar valor ao produto e oferecer diferencial competitivo diante do mercado mundial (Foto: Divulgação/Veracruz)

Inicialmente, a Veracruz vai plantar 2 mil hectares de amendoal em terras portuguesas. O projeto também envolve a instalação de uma unidade fabril para o beneficiamento da amêndoa.

Mineiro e descendente de portugueses, David Carvalho – um dos fundadores da Veracruz – resolveu cultivar amêndoas em Portugal porque o país reúne todas as condições climatéricas para o plantio do amendoeiro, diferente do Brasil.

Carvalho é fundador de empresas de tecnologia no Brasil, mas se diz “um grande apaixonado por terra”. “O agro vai passar por uma transformação digital e tem que passar por essa transformação digital para ser mais lucrativo, mais rentável e mais sustentável. Mas isso só se consegue atingir através da tecnologia”, salienta.

A parceria com a Arabyka tem o objetivo de agregar valor ao produto através da tecnologia de blockchain para conferir um diferencial competitivo à empresa. A Veracruz pretende atingir mercados de países da Europa, Ásia e Oriente Médio.

“A gente está mapeando toda a cadeia produtiva da amêndoa, desde a instalação de uma muda, a preparação do solo e todos os nutrientes, todos os produtos que a gente coloca, através de blockchain. Isso vai permitir a gente ir para o mercado de forma mais madura, de agregar valor ao produto, de chegar para um grande player, um grande fornecedor e dizer que minha amêndoa se diferencia por causa disso, eu consigo entregar um mapeamento em código hash, em blockchain de toda nossa cadeia produtiva”, afirma Carvalho.

A ideia, na ponta final, é que com a câmera do celular o consumidor possa escanear o QR Code do produto e mapear toda a cadeia produtiva da amêndoa com um alto nível de detalhamento, partindo até mesmo da origem da planta e do terreno.

A Arabyka também vai auxiliar a Veracruz a atender os protocolos de produção de amêndoas em consonância com as exigências de diversos países. Quando tudo estiver pronto, Carvalho afirma que a empresa será a primeira do mundo a comercializar amêndoas com a cadeia toda mapeada em blockchain. 

SEGURANÇA ALIMENTAR

A pandemia fez com que as pessoas passassem a se preocupar mais com a segurança alimentar, observa George Hiraiwa, um dos sócios da Arabyka. Na Europa, a rastreabilidade já é uma demanda dos consumidores, e a tendência é que também seja no Brasil nos próximos anos. “Acredito que em algum momento isso virá muito forte e aí as empresas, startups como a nossa precisam estar preparadas.”

O mercado financeiro também vê com bons olhos empresas que possuem rastreabilidade de seus produtos, à medida que o conceito de ESG (environmental, social and governance – ambiental, social e governança) vem conduzindo o olhar dos investidores.